A quem interessar

Amados, tem algo acontecendo na minha vida de que certa forma irá permanecer por algum tempo, então sinto que necessito partilhar com vocês, a quem considero como pessoas que são importantes para mim, como algumas pessoas já sabem e fica extremamente doloroso contar a cada um individualmente, resolvi contar por aqui. Meu pai no início do mês de maio, teve uma suspeita de câncer apontada devido a uma dor é um caroço que possui na coxa esquerda, e nesta semana, através de uma biópsia descobrimos que ele realmente está com câncer, não sei se alguém passou por isso com alguém conhecido ou algum familiar, mas é um processo realmente complicado, confesso que ainda estou perdida em meio ao caos das suposições. O câncer do meu pai é na coxa e o tumor já está em grandes proporções se espalhando por toda a coxa, como o médico disse “o tumor está abraçando a perna dele”, só que graças ao bom Deus ainda não atingiu as artérias e nem os ossos, então ele não precisará amputar a perna, porém o tratamento precisa começar imediatamente antes que atinja estes lugares, que no caso será a radioterapia, que inclusive não é feita aqui no acre e sim em Porto Velho, na capital de Rondônia, a próxima semana será bastante decisiva, porque ele finalmente entrará no sistema do tratamento do governo e assim vai poder viajar e realizar as sessões, para assim diminuir o tumor e poder fazer a cirurgia da retirada do tumor. Nesta semana, ele também realizou tomografias para saber se existem tumores em outros lugares do corpo, o tipo de câncer do meu pai é um câncer que da em partes moles do corpo, como músculo por exemplo, se chama radiossarcoma, é um câncer agressivo e que progride muito rápido, ainda não sabemos o resultado deste exame… Conto com as orações daqueles que possuem fé! Confesso, que tenho tentado ser forte e lidar bem com isso, mas nem em todos os momentos as coisas acontecem como eu quero! Graças a Deus eu e minha família temos recebido bastante apoio de todos os nossos familiares, os irmãos do meu pai e da minha mãe estão se fazendo presente em todos os momentos e os conhecidos e vizinhos também, como meu pai parou de trabalhar (por enquanto ele está de férias), ele tá aproveitando para me passar um treinamento de como cuidar das coisas da colônia, para não precisarmos tanto pedir as coisas aos outros, e assim vamos indo, como eu disse, vivendo um dia de cada vez! Obrigada por lerem e desculpa o textão!

Perdoa o desabafo!

Bom dia, meu nome é Katiele, tenho 22 anos, sou estudante de engenharia civil na universidade federal do acre em rio branco, sou do interior do estado e há aproximadamente 4,5 anos moro sozinha na capital para poder estudar, estou no começo do penúltimo período e se não fosse a pandemia concluiria a faculdade no final deste ano.

Estou solteira já vai fazer 4 anos, e durante esse período avalie até a vida religiosa mas depois enxerguei que a vocação matrimonial seria mais desafiadora a mim, a criação dos filhos e o cuidado com o marido me fizeram perceber muitas coisas belas na vocação e que eu conseguiria desafiar e enfrentar meus dilemas melhor nessa caminhada .

Como comecei a faculdade com apenas 16 anos, a carga que uma graduação possui acabou provocando estragos visíveis até hoje, em meados de novembro de 2016 eu acabei reprovando em uma matéria de pre requisito no meu curso e atrasando em 1 ano minha colação e me separando da minha turma original, isso me jogou em um poço sem fim, que me via caindo cada dia mais, minha mãe muito preocupada acabou me levando para uma ajuda medica, e acabei sendo medicada e diagnosticada com crises de ansiedade e depressão, continuo o tratamento até hoje, durante todos esse tempo tiveram meses bons e meses horríveis, onde atentei contra minha própria vida, onde não fazia o tratamento, onde pulava de psicologo para psicologo, onde quase morri por alergia á um remédio injetável para ansiedade, enfim, está sendo uma longa caminhada mas o que eu queria relatar especificamente aqui hoje é um sentimento que me aprisiona e me faz refém desde há muito tempo na minha vida que é a solidão.

Eu, não sei se por ser filha unica, me sinto absolutamente sozinha, sei que tenho meus pais e minha família, tenho também alguns amigos e principalmente tenho Deus, até me culpo muitas das vezes por me sentir assim, e procurando melhorar isso tento fazer amizades com pessoas com coisas e assuntos parecidas comigo mas eu simplesmente não me sinto suficiente para manter uma conversa com alguém ou me sinto como se eu não cativasse ninguém, sei que a maioria dessas coisas são invenções da minha cabeça mas o sentimento de que irei sempre me sentir assim me tormenta, me tormenta pensar que nunca encontrarei ninguém que compartilhe os meus princípios para ser meu companheiro, e que eu verdadeiramente ame e não sinta sozinha com a pessoa.

As vezes queria poder desligar as neuras da minha cabeça e ser normal, apenas esperar e continuar vivendo minha vida, sem sofrer por um futuro que só pertence a Deus, mas a verdade é que minha autoestima é tão baixa, que todo dia me vem o pensamento que nunca ninguém se interessara e realmente irá querer lutar por mim para ser feliz comigo e viver os designos de Deus.

Rezem por mim e desculpa o texto enorme.

Escuridão

Texto de 28/01/2018

 

Em momentos como estes, a luz do quarto tem que permanecer desligada, as janelas fechadas, um ambiente totalmente hostil.

Essa é apenas uma das formas de combinar o lado de dentro com o lado de fora, é apenas uma forma de esconder o corpo que aquele quarto abriga, o escuro te da a sensação de proteção, de esconderijo.

Quando estou no escuro parece que ninguém está me vendo… ali fraca, chorando, olhos inchados, braços arranhados, olhar de desespero. O escuro esconde tudo que a depressão e a ansiedade faz.

Mas quando alguém ousa ligar a luz, tudo isso fica exposto, me sinto nua, como se todos as minhas emoções estivesse passando em telões para toda a cidade ver, isso soa infantil, egoísta. Mas a ansiedade transforma pessoas fortes em lixos fracos, que se escondem no escuro de um quarto.

O escuro permite chorar, o escuro permite que eu me recupere, e só acenda a luz quando tiver boa , na mentirosa sensação de que toda aquela dor e angústia ficaram lá no escuro, e que na luz se é uma pessoa normal é totalmente sã.

Será?!

Será? Será isso? Será aquilo? Mas será mesmo? A minha dúvida hoje é será que Deus me perdoa por não gostar de mim? Por não gostar das características que Ele me deu? Por não me achar bonita? Por me odiar todos os dias? Por nunca me achar suficiente? Será? Será que um dia eu vou me perdoar por me culpar? Por não conseguir ser feliz? Será que eu vou um dia olhar isso tudo é vê que tudo foi só uma fase? Será ? Será que meus cortes cicatrizarão? Não os de fora, mas os de dentro? Será? Será que minha vida um dia será algo além de serás?

Deus me perdoa, pq Ele é misericordioso, mas eu, não sei se um dia me perdoarei por ser assim.

Caí.

Foram 10 meses. 10 meses sem crises. Não 10 meses sem se sentir triste, mas sim 10 meses sem querer ir embora, sem conseguir respirar, sem precisar escrever, afinal só escrevo movida pela minha amiga depressão. Mas lá se foram os 10 meses, as promessas de quem sabe uma alta do psiquiatra. Não posso afirmar que eu caí no dito dia que tentei mais uma vez cortar o pulso sem sucesso, afinal tesouras não são boas para isso. Na verdade eu caí dias antes, quando ao recordar de uma grande dor do início ano queria conversar com alguém que me magoou, mas na vdd apenas me jogaram na real, que ele não ia se importar, que afinal a culpa foi minha. Mas não culpo esse fato pela minha queda, mas sim, a minha fragilidade de parecer tão independente e ao mesmo tempo ser apenas uma peça esperando que alguém a jogue em um tabuleiro. Eu também caí quando ao retornar ao Dr Marcos não contei, não gritei, não disse que não estava nada bem, não implorei para que ele me internasse, não fiz, apenas não. Admitir é o mais difícil da queda, afinal eu estou bem, tudo está sob controle, até tudo se juntar. Rejeição, solidão, medo, pressão, cansaço, saudade. E. BUM. Para, não respira, pega a tesoura, pega o prestobarba, tranca a porta do banheiro, pega o fone de ouvido, playlist p esse momento, deita no chão e escora o pé, afinal a porta não fecha, tenta cortar, mas dói, queria que não doesse, mas sou fraca, até pra isso, e então, deito e desisto. Me encontram. Corro. Será que um carro pode passar e me ajudar com isso?. Não tem carro. Uma senhora vem ver se eu sou louca. Sim. Sou. Volto p dentro. Rivotril. Obrigada. Eu deito e choro. Vitoria acha que acabou. Mas agora é a vez dela. Depressão se sentiu convidada pela ansiedade e agora acalenta a minha cama. No outro dia , levanto e atuo, tudo está bem. Se eu fingir bem o suficiente, talvez realmente fique.

Emocionalmente não sou eu

Exatamente isso. Dentro de mim não há mais que algumas fagulhas e lágrimas de mim. E o resto? Eu respondo facilmente. São esperas. Esperas que me amem, esperas que me desejem, esperas que cuidem de mim. Vivo em função de outros. Amigos? Sim. Espero todos os dias por, quem sabe algum perguntar como estou, ou apenas conversar comigo, não pessoalmente, isso é querer demais, mas quem sabe uma msg em? Não né. Quem sou eu? Para querer algo assim de alguém? Eu também respondo. Uma pessoa dependente, não de drogas, não de alucinógenos, mas de coisa pior. De pessoas. Tão graves humanos. Nos destroem e nos medicam para nos recompor. Ou será culpa do exagero? Ou melhor ainda, ou será culpa minha? Afinal a dependência é minha culpa, ninguém permanecer e está aqui agora também é. Desculpa amigos, sei que a culpa não é de vocês, nunca é. Mas é que a verdade é que tem tanto de vocês dentro de mim, que na verdade não sei mais se existo.

Redenção

Psiquiatria! O primeiro dia assusta, desespera, culpa, tira o sono, causa angústia e preconceito. A primeira semana você grita, você chora, você não toma, você não obedece, você não se qualifica, você não quer que te vejam, você se envergonha, você não conhece. O primeiro ano você não acredita, você perde a fé, você quer morrer, você quer que acabe, você culpa, você não se esforça, você mais uma vez não conhece. O terceiro ano você aceita, você toma, você vive, você reage, você tem força, você ainda se culpa, você ainda se sente mal, você é humana, você entende.

Tudo muda. Deus muda. Você enxerga, que Deus lhe colocou na mão daqueles que melhor podiam cuidar de você e finalmente você entende, que todo o tempo era cuidado, cuidado do seu pai, daquEle que te quer bem. Afinal, Ele nunca prometeu que seria fácil, mas prometeu que estaria com você dia após dia, e no menor resquício de fé não deixaria você desistir. E não deixou, mesmo após quase três anos, mesmo após muitas quedas, mesmo após muito se culpar, Deus não deixou que um instante acabasse a sua história, a história que Ele quer pra você. A sua salvação é o que Deus quer, e a sua cruz é o que Deus te ajuda a vencer.

Telespectador da própia existência

Por Dentro... em Rosa: A vida é um sopro

 

Sempre fui uma criança que gostava de assistir e ler coisas que se passavam bem longe da minha realidade, sempre imaginava que se eu me inspirasse o bastante quando fosse mais velha eu iria ter algumas daquelas historias.

Eu cresci, e infelizmente não consegui me levantar e ter minhas própias historias, continuei sendo aquela criança assistindo, só que agora e talvez até antes, eu assisto a minha própia vida, me tornei uma adulta que não faz questão de viver, que troca amigos, família, namorados, para ficar em uma cama vendo historias que outros viveram.

Sou absolutamente apaixonada pelo século XIX, e tenho a falsa imaginação que se eu vivesse naquela época eu seria alguém importante, alguém que mudaria o mundo, alguém que desvendaria assassinatos, alguém que fosse uma pessoa que claramente não sou hoje.

O pior de ser telespectador da própia vida, é o medo de nunca se torna o protagonista, de nunca ter coragem de viver, de nunca ter uma história, de passar toda a existência vendo as coisas acontecerem mas não conseguir sentir que aquilo realmente está acontecendo.

E caro leitor, isto não é algo que ninguém possa fazer por mim, o meu tempo corre, tenho quase 21 anos e infelizmente só eu posso controlar a minha vida e o meu medo, e isso me agonia porque me sinto sozinha e responsável por algo tão grande e juro que me esforço para sair dessa posição, talvez não o suficiente mas algo  me prende.

Mas simplesmente não consigo arriscar e confiar nas minhas escolhas, o problema deve ser esse, eu não consigo confiar que serei capaz, não consigo confiar que superarei se tudo der errado, não consigo confiar que serei feliz, não consigo confiar minha vida a mim mesmo.

E enquanto nada muda, eu continuo assim, fingindo que estou vivendo, enquanto na verdade sou apenas um telespectador sem opiniões.